Uma garota qualquer – Cap. 2 Parte 2

-Lizzie, soube que seus pais tem uma pousada aqui perto. -Ah, viajante , claro!
-Por favor, me chame de Liz. Sim, temos sim, conhece?
-Como quiser. Não conheço, ainda.
-É viajante?
-Hã?
-Passa aqui de vez em quando, ou pretende parar em uma pousada? -Ele fez cara de desentendido, talvez não estivesse mesmo entendendo.
-Não Liz, eu moro aqui, ou melhor, irei morar. -Então ele sorriu e dessa vez quem ficou inebriada foi eu. Dentes perfeitos, brancos feito neve, um contraste tão perfeito e tão harmônico com seu cabelo que me deixava vidrada. Sua boca era carnuda e rosada, dava pra ver daqui a maciez que aparentava. Parei bem no meio desse pensamento. Onde estava “os meninos não se aproximavam” e os “eu estou bem obrigada”? Eu me sentia febril. Suspirei e respondi.
-Ah sim. Nunca te vi mesmo. -Tentei me fazer de indiferente, mas estava disfarçando tão mal que nem eu acreditei.

-Claro que não. Porque você não ta com o pessoal da sua escola?
-Não, estou bem aqui.
-Perguntei o porque Liz, percebi que você está bem aqui. -Agora me ofendeu. O olhei inexpressiva enquanto esperava a raiva se dissolver.
-Sinceramente, de que isso te importa? -Bufei. E ele não sabia o que responder, respondeu meu olhar com um muito mais intenso, eu nunca chegaria aos pés daqueles olhos, e rspidamente toda a raiva passou por mim como se nunca estivesse ali.
-Vamos com calma então. Vai me contar o porque? -Ele perguntou ainda prendendo o meu olhar, e eu não consegui deixá-lo. Forte demais, intenso demais. Eu não era párea para esse tipo de hipnotização.
-Só não ando, -respondi mais calma- eles não parecem gostar de mim. De onde você os conhece?
-Meu primo estuda na CEFET, ele provavelmente é da sua sala. E eu passei pelo concurso, então… -Ele respondeu, aproveitando para se vangloriar. Comecei a achá-lo metido.
-Ah. -Resposta automática.
-Então Liz, porque não vai comigo pra lá com eles?
-Não quero, muito obrigada.
-Vamos, eles são legais. -Ele insistiu. Tadinho, eu não queria magoá-lo dessa forma, mas tive que fazê-lo.
-Pra mim não. -Eu ri dessa. Ele continuou me olhando como se não entendesse porque para mim eles não eram legais.
-É, eles disseram que você era do tipo excluída. -Ele zombou.
-Vai continuar a me ofender ou vai logo me dizer o que quer? -Curta e grossa, quem ele acha que ele é pra chegar aqui e falar esse tipo de coisa?
-Desculpe se a encomodo. -Ele se levantou e eu me levantei junto. Ele pareceu sincero, como se realmente importasse se ele me encomodava. Ia virando as costas quando eu não aguentei mais.
-Bernardo? -Ele se virou para me olhar. Seco, e não como antes.
-Que foi?
-Desculpe-me. Eu não gosto de certas brincadeiras. Pode relevar isso? -Achei ter visto um faiscar de alegria em seus olhos. Ele apenas assentiu. Tentei ser mais simpática.
-Então, me diz, qual o seu sobrenome, hum? -Ele pareceu se surpreender por eu ter notado que ele não tinha se apresentado com o nome todo.
-Meu sobrenome é Hokki.
-Hum… interessante. Sabes o meu? -Pergunta tosca, nada melhor pra começar um assunto.
-Acho que sim. -Ele riu, e eu gostei, estava funcionando. Mac-Culloch não é?
-Sim ! -Eu sorri e ele retribuiu.
 Eu estava gostando da nossa conversa, ele me perguntou muita coisa. Não era bem uma conversa, até porque eu mal perguntei, ele é que estava me questionando e eu não via motivos para não responder. Ele começou com perguntas inofensivas, como a minha cor preferida ou talvez o tipo de bijouteria que eu mais gostava, e eu respondia prontamente o satisfazendo. Ele continuava simpático e Vi não aparecia, percebi então que ela estava com o mesmo menino alto e loiro que dançara com ela a uma hora atrás, e para variar, estavam em um assunto muito mais interessante. Eu ri e ele me perguntou do porque do meu riso, então ele percebeu minha amiga. Ele disse algo como “é, ele é o pegador da cidade, meu primo” , mas senti que ele não disse isso de forma que dava glória a ele por ser o que ele acabara de caracterizar e sim de forma brusca e até com uma pontada de arrependimento por ter percebido e reparado no menino que diz ser seu primo. Eu rapidamente mudei o assunto vendo que não era sobre isso que ele queria falar, então perguntei mais coisas sobre ele, e ele respondeu com a mesma animação de antes continuando a me perguntar. Uma ou duas vezes ele parou para falar com alguém que passava, e logo depois continuava com suas perguntas que se tornavam mais invasivas como seu olhar, e eu não tinha percebido que a festa já estava esvaziando até que eu bocejei e o sono queria me pegar de jeito. Ele rapidamente notou isso. Ele não parecia com sono, até que eu realmente olhei sua expressão que por um acaso mudou no exato momento que o sono estava começando a se formar em mim. Procurei minha amiga, ela não estava a vista. Me desesperei.
-Cadê a Vi?
-Cadê quem? -Ele logo notou minha transformação de humor.
-A Vi, a menina que tava com seu primo.
-Ah, sua amiga foi pra casa com o Gustavo, não viu?
-Sério? Não vi. -Me senti envergonhada por isso.
-Me avise quando mudar de humor assim tão rápido. -Eu ri disso.
-Claro que sim. Como se eu soubesse quando eu vou ficar preocupada com uma amiga. -Ele sorriu, o sorriso criando covinhas perfeitas em uma só de suas bochechas.
-Claro que você vai saber.
-Bem, eu acho que eu tenho que ir. -E fui me levantando.
-Agora? -Ele parecia frustrado.
-Sim.
-Bem, eu te levo então, eu to de carro…
-Eu também. Fica tranquilo, eu vou dirigindo.
-Posso te fazer uma pergunta?
-Uhum.
-Vai amanhã para o colégio?
-Sim, segunda né?
-Uhum.
-Então, Bernardo Hokki, foi um prazer te conhecer, até amanhã!
-Tudo bem, Lizzie Mac-Culloch, foi todo o meu, com toda certeza. Até .
Dei dois beijinhos nele costumeiros e fui direto para meu celtinha quente e familiar. Parecia que eu tinha acabado de sair de um sonho, nada parecia real. Nem a dança, nem seu olhar, nem sua voz, nem seu sorriso e muito menos seu jeito parecia real. Eu esperava que ele não me achasse nenhuma idiota pelo constrangimento de não ter visto minha amiga. Mas ele parecia ter pouco se importado com isso. Lembrei de cada detalhe enquanto dirigia o pequeno trajeto até minha casa.
 Cheguei em casa, olhei direto no relógio da bina, tinham duas ligações perdidas – as duas da Vi- e eram três horas da manhã. Fui rindo para meu quarto, amanhã eu ligaria para Pâmella. Entrei no banheiro e fui tomar um banho bem quente, relaxei e fui dormir. Tive um sono sem sonhos, acordei com o despertador zunindo em minha cabeceira. Me levantei e me arrumei rápido demais. Ansiosa até. Então eu estava pronta para ver se ele realmente era real como eu pensava que era antes. Corri pela porta a trancando com uma volta só, foi quando eu olhei para o lado de fora realmente, e lá estava ele. Encostado no carro, o uniforme impecavelmente branco. Eu sorri, e ele me retribuiu com um sorriso caloroso, caloroso demais.

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Uma garota qualquer – Cap 2



THE PARTY

A praça estava bem movimentada, muito colorida. Pelo visto o pessoal caprichou dessa vez, muitas lâmpadas coloridas que davam brilho e forma ao vento que de vez em quando soprava. Como prometido por Vi, estava lotada, mas minhas primeiras especulações estavam erradas, a festa estava com um ambiente bem familiar. Realmente tinha uns casais que estavam juntos, mas não estavam de pegações. Olhei de canto, fui analisando pessoa por pessoa. Fui reconhecendo certos rostos, uns bonitos, uns lindos e uns… digamos, nada bons. Pâmella começou a me arrastar para o meio da praça, fui com certa relutância, lá no meio tinha o pessoal do colégio – que eu não falava -. Nunca fui popular, não vai ser agora que eu vou me inturmar. Reconheci a maioria das faces, menos uma, que insistia em me olhar. Virei-me e fui seguindo a Vi, que estava longe de mim, atravessando a multidão. Paramos próximo a uma barraquinha que estava vendendo churrasquinho. Fiquei analisando o churrasquindo imaginando quanto seria o valor calórico de cada um, cheguei a uma conclusão de que pelo menos cem gramas deveriam permanecer no meu organismo a cada dez churrasquinhos, fiquei ali viajando enquanto tinha uma suave impressão de que minha amiga estava me perguntando algo.
-LIZ? Ta me ouvindo?
-Hã? – [aa] que ótimo! Eu realmente tinha viajado agora.
-Acabei de te perguntar se você conhece aquele garoto ali. -Ela apontou para um rapaz alto, moreno, parecia um daqueles hóspedes que eu recebia em minha pequena pousada. Até então eu não tinha reparado no garoto, então não fiquei olhando para ele.
-Não conheço não, porque?
-Ele deve ser um desses hóspedes seus, ele não para de te olhar. -Ela disse dando uns risinhos. Talvez fosse mesmo, ele tinha cara de visitante.

-É, pode ser mesmo. Agente passou por ele antes? -Eu perguntei tendo uma vaga lembrança dos olhares lançados a mim assim que chegamos aqui.
-Aham. Eu acho que ele tava com o pessoal da nossa sala. -Percebi então que o assunto sobre ele terminaria ali, quando se tratava dos outros alunos de nossa sala, ela e eu evitávamos conversinha. Nunca gostei
muito do povo popular, talvez porque eles sempre tivessem os melhores assuntos, aparentemente. Sinceramente, eu prefiro o silêncio.
-Ah ta. -Não achei uma resposta mais decente.
 Resolvemos então dançar. Ela tinha feito dança de salão e a quadra – agora transformada em uma pista completamente escura – estava lotada de gente dançando zouk. Dançamos duas músicas juntas, mas logo Vi foi tirada para dançar por um garoto alto, loiro e forte – foi o que eu consegui reparar na escuridão – que a roubou de mim com tamanha vontade que eu cheguei até pensar que era sequestro, mas quando ela se entregou a dança eu me tranquilizei. Fui saindo de fininho, pela lateral, não esperava ter de encontrar alguém para me tirar para dançar, eu não queria dançar. Voltei devagar para minha querida barraca de churrasquinho. Aparentemente, aconteceu tudo muito rápido. Vi estava dançando e desapareceu num átimo, nesse mesmo eu me virei a procurando mecanicamente, nada que eu realmente estivesse fazendo conscientemente, e lá estava ele. Lindo, alto, moreno, um cabelo liso preto feito breu e igualmente estavam seus olhos. Posso jurar que me senti tonta naquele mesmo instante. Seus olhos não me largavam, pareciam me perfurar por dentro, como se estivesse lendo cada informação gravada em minhas células. Mas eu identifiquei uma pontada de raiva com curiosidade passando em seus olhos assim que retribuí o olhar sem conseguir me mexer. O que eu pensei que tinha levado horas, tinham levado o tempo necessário para alguém liberar o espaço que faltava para eu passar. Saí de seu olhar invasivo com certa relutância, meus olhos não respondiam na velocidade de meus pensamentos. Mas consegui, porém não pude deixar de ver seu pequeno sorriso. Ofeguei e cheguei a realidade mais rápida do que eu achava que fosse possivel. Quase corri para minha mesa, mas enfim cheguei. Sim, eu estava tonta. Percebi assim que eu sentei. Tudo em volta rodou e me senti em um navio ou melhor no próprio titanic. Como isso era possivel? Um olhar ter mais efeito do que um avião em plena descida? Eu não conseguia pensar racionalmente, resolvi então que estava na hora de me hidratar, pedi uma garrafinha de água gelada Bebi alguns goles e fiquei bem. Olhei a hora, enfim eram dez e meia. Eu não tinha hora para ir para casa, e pelo visto a noite ia ser longa, caso eu tivesse que encontrar com ele de novo. De repente me senti ansiosa, ansiosa como estavan>

Uma garota qualquer – Cap. 1 Parte 2

Peguei a chave, tranquei a porta por fora e fui direto para o celta que meu pai deixava na garagem para eu usar quando estava atrasada para o colégio. Sem ele em casa eu com toda certeza aproveitaria desse luxo que ele não disse que iria me proibir. Achei isso bom, mas mesmo assim, preocupei-me, meu pai era tão cuidadoso comigo, não poderia me deixar assim, mas deixei que isso passasse despercebido em minha mente. Concentrei-me nos buracos da rua da Pâmella. Que estrada sinuosa, nunca dirigi em um lugar mais esburacado do que essa rua. Soltei um pouco de blasfêmias, mas logo me segurei e concertei minha expressão, eu teria que parecer feliz ao encontrá-la. Estacionei em sua calçada, e sai olhando a rua e vendo a lama que ia se formando na parte abaixo do carro. Não sei como, mas Vi notou o barulho em sua calçada e já estava na porta com seu grande sorriso por ver que eu realmente iria ajudá-la.
-Oi Vi! -Fechei a porta e fui de encontro a ela
-Oi Liz! -ela me deu seus dois beijinhos costumeiros e apontou para dentro da casa.
-Entra..
-Claro, já ajeitou toda a matéria?
-Sim sim.

A casa da Vi era algo com que eu não me acostumava. Era grande, e linda, toda rústica, móveis, quadros, a escada, cada item mais bonito que o outro. Eu sempre ficava impressionada com tamanha grandeza daquela casa. Ela sempre me guiava, e eu certamente, sempre me perdia. Ela estava de bermuda também, embora a dela fosse de um tecido mais pesado e mais claro que a minha, tava com sua camisa preferida, de gola alta e rosa listrada, enfim, linda como sempre.
-Liz, tem novidades?
-Bom, estou sozinha em casa até quarta, meus pais sairam pra resolver uns problemas na cidade. -Ela era amiga, mas eu nunca confiei muito, sempre fui desconfiada.
-Sério? Que boom! Quer dizer, perfeito pra hoje, com toda certeza.
-Porque? -Minha desconfiança sempre vinha à tona.
-Hoje tem uma festa pública lá na praça perto do colégio, achei que você fosse… disseram que vai ta cheia. -Traduzindo: Pegação total!
-Ah, verdade, a festa, você comentou comigo. Quer ir? -Não tenho nada pra fazer hoje nem o resto da semana, eu queria acrescentar, mas achei melhor não.
-Quero né amiga, vamos depois de estudarmos, temos muuuita coisa pra ler e fazer.
-Claro.
Fomos para a sala, estava tudo impecavelmente limpo e arrumado, bem no meio da sala tinha uma mesa retangular antiga envernizada, por cima tinha um bordado longo que atravessa o meio da enorme mesa. Todo material estava espalhado e então respirei fundo pus mão a obra. Ela realmente não estava bem em português, então acabei me divertindo com suas explicações malucas do que ela entendia quando a professora falava, a expliquei tudo corretamente, e com a diversão fui perdendo a noção da hora. Vi já tinha ligado o ar-condicionado e tinha fechado as janelas então não passava claridade alguma. Acabamos de estudar, passei uma leve revisão para ela estudar sozinha e ficamos conversando, conversamos sobre tudo. Por mais que ela já soubesse muita coisa minha, eu sabia pouco sobre ela. Então eu aproveitava para saber mais sobre a vida que ela levava antes de parar aqui. Soube bastante coisa, mas tudo completamente irrelevante, então quando eu olhei a hora, já eram sete e meia da noite, eu nunca cheguei mais tarde em casa do que seis hora da tarde. Ela riu vendo minha reação, eu ri junto com ela, afinal eu estava sozinha.
-Vi, vai se arrumar agora?
-Vou sim, vai escolher alguma roupa minha lá pra você.
-Não! Eu vou pra casa e volto pra te buscar.
-Claro que não! Deixa de bobeira Lizzie, vai lá e pega.
Ela tinha um tom tão autoritário que eu odiava, mas parei para pensar e achei que ia ser melhor. Ela foi direto para o banho e eu fui  encontrar uma roupa. Achei uma saia de cinura alta, preta e justa, combinava com minha cor clara e deixava minhas pernas à mostra, o que eu gostava. Achei também uma blusa creme tomara-que-caia que combinou perfeitamente com meu busto, realçava bem. Eu gostei. Botei um saltinho pequeno e fiquei pronta. Vi também se arrumou rápido, pegou um casaco branco, botou por cima de uma blusa preta com detalhes rosa, e uma calça skining com um salto fino mais alto que o meu. Ela ficou do meu tamanho. A noite caindo lá fora já estava fria, mas eu nunca senti tanro frio assim. Vi brincava de vez em quando dizendo que eu tinha um sangue fervendo dentro de mim. Eu entendia o que ela queria dizer, mas eu nunca fui muito boa com garotos, eles nunca se aproximavam, e eu não me encomodava com isso, levava minha vida muito bem obrigada.
 Enfim, saimos de casa, a mãe da Vi não estava em casa, tinha ido na casa do novo namorado. Ela tinha me dito que o namoro estava engrenando e que pelo visto tinha um grande casamento a vista. Mas isso não vem ao caso. Pegamos então o caminho que dava para o colégio e viramos uma rua antes, lá estava a praça.

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Uma garota qualquer – Cap. 1


THE BEGIN
 Era uma tarde de um outono qualquer no interior do Rio de Janeiro, por aqui normalmente costumava fazer sol por consequencia do meu país tropical. Ultimamente a temperatura tem aumentado bastante durante o dia e caído durante a noite, afinal estamos em pleno outono. Morar no interior de uma cidade maravilhosa como aqui tem suas vantagens, visitantes me disseram que por aqui o ar é mais limpo e a noite mais estrelada, e eu acreditei, é claro, nunca saí – e nem pretendo – daqui.
 Antes que eu esqueça, meu nome é Lizzie Mac-Culloch, tenho dezesseis anos e levo uma vida muito pacata por ai pelo interior. Trabalho de segunda a sexta em uma pousada de minha familia que tinha como intenção arrecadar mais lucros para a vida aqui em Barra de São João ao construírem essa pequena pousada. É um lugar muito repousante, bastante tranquilo, não recebemos muitos hóspedes por aqui nessa época do ano, por causa da temperatura que costuma cair bem na noite, normalmente recebemos aqueles viajantes que ficam por aqui menos de três semanas e não tem nem parentes por aqui, entretanto o dinheiro que eles pagam pelos serviços da casa fazem jus a nossa hospitalidade. Nunca esqueço de meus estudos, então frequento uma escola aqui por perto, uma filial da CEFET aqui por perto. Entrei concurssada, meus pais, Erick e Fellipa fizeram uma festa quando descobriram que eu tinha passado nas duas fases, por total acabei passando em quinto lugar. 

Como eu disse, enquanto eu levo minha vida pacata por aqui não tenho muita coisa que realmente me importe em fazer, então o que me resta é me dedicar aos estudos e ao orgulho que meus queridos pais sentem por mim e que eu faço com que seja maior a cada conquista minha. Em consequencia de meu respeito e dedicação, faço o que eu quero, já que a responsabilidade anda lado a lado comigo. A confiança deles em mim me parece extraordinária.
 Nesta tarde de verão fora de época em um domingo respestável aqui, resolvi que estava na hora de um banho. Tinha andado durante toda a manhã como exercício, e agora estava faminta e com muito, muito calor. Cheguei em casa e rapidamente notei que meus pais não estavam em casa. Achei bem estranho, afinal eles sempre me esperam durante minha caminhada matinal aos domingos antes de saírem para irem para a cidade fazerem compras ou o que quer que sejam que eles queiram fazer. Desliguei meu mp3, enrolei-o no fio do fone e o deixei em cima da mesa de canto que tinha um pequeno telefone fixo e notei que em um pequeno pedaço da minha folha de escola tinha um bilhete com a letra de minha mãe, que logo reconheci por sua caligrafia. No bilhete dizia o seguinte:
  “Filha, tivemos que ir a cidade o mais rápido possivel. Seu pai está com problemas no trabalho e então voltaremos pra casa na quarta e ficaremos na casa de sua tia. Se não fosse urgente nunca te deixaria sozinha. Eu te amo meu amor, fique com Deus.”
 Achei isso tudo muito estranho. Peguei a agenda que meus pais guardavam embaixo dessa pequena escrivaninha, pesquisei o número que eles tinham de minha tia Esmeralda, irmã de meu pai, que morava aqui e tinha uma renda muito melhor que a nossa e por isso morava na cidade.Rapidamente disquei o número e foi a própria que atendeu.
-Alô?
-Tia? – Imagina Liz, de quem mais seria essa voz de taquara rachada? Fiquei mais ansiosa de repente.
-Oi Liz, sou eu, em que posso te ajudar?  – Ela parecia com pressa.
-Oi, meus pais estão por ai? Eles saíram do nada!
-Claro meu amor, estão te mandando um beijo e pedindo para que não se preocupe. – Realmente ouvi suas vozes bem no fundo.
-Ah sim, então… eles conseguiram resolver o problema?
-Hã? Ah, o problema… então… quando eles chegarem eles te informam sobre tudo. Agora eu preciso desligar. Tchau. -Eu não gostei disso.
-Tchau – Respondi ao telefone mudo.
Bem, não deve ter havido nada de tão importante, mas bem que esse telefonema foi um dos mais esquisitos. Tratei logo de tirar minhas preocupações da mente, eu teria que tomar conta da pousada sozinha por dois dias, e eles disseram que não era para me importar com isso então logo me animei com a ideia de que teria a casa só pra mim, então fui direto para meu quarto.
 Meu banho foi tranquilo como qualquer banho sem os pais em casa. Me sequei, botei minha querida bermuda de pano leve e minha camiseta de alças finas que eu tinha ganhado de natal de minha tia. Achei que era uma boa hora para usá-la. Desci e fui direto para a cozinha, fritei um hambúrguer, botei um pouco de refrigerante num copo e fui bebendo, não tinha percebido que estava sedenta também. Montei rapidamente meu lanche da tarde e comi na mesma velocidade. Estava terminando minha refeição quando o telefone toca – coisa que acontece raramente – e por incrivel que pareça percebi que estava completamente destraída. Corri pra atender o insistente telefone. 
-Alô? -Disse completamente afobada e totalmente despreparada para a voz na outra linha.
-Liz, cadê você? Desistiu de mim? (risos)  -Ah, que droga, esqueci completamente de meus compromissos para este final de tarde. Minha amiga e eu marcamos de estudar português na casa dela. Seu nome era Pâmella, Pâmella Vittel,a chamavámos de Vivi, era mais fácil com duas Pâmellas numa mesma sala. Ela era baixa, tinha os olhos claros cor de mel, sua pele era acobreada, tinha uns dos melhores tons de pele da sala em minha opinião, seu cabelo era do mesmo tom de seus olhos e ele em cachos completamente definidos até o meio da cintura. Além de seu corpo escultural, de dar um baque em qualquer auto-estima em qualquer garota, ela era uma menina super recatada, estava no auge de seus quinze anos e era adiantada na escola. Extremamente inteligente e muito mais legal que qualquer pessoa que tenha passado em minha vida. Éramos como carne e unha, como se costuma dizer, então andávamos sempre juntas.
-Ah, Vi, é você. Desculpa, esqueci de verdade amiga.
-Que isso menina, tudo bem. mas você vem né?! Português? Matéria? Prova?
-Vou sim, na verdade estou saindo agorinha, vou só lavar a louça e saio de casa. Vai preparando a matéria que eu não vou poder levar a minha.
-Tudo bem, te espero então. Até!
-Até!
Desliguei o telefone e fui direto para a cozinha lavar o prato e meu copo. Vi era uma pessoa muito legal, quando queria, é claro. Muitos não falavam com ela por ela não ter dado nenhuma confiança para que alguém viesse a ter uma amizade com ela, mas comigo, por incrível que pareça, ela foi diferente. Também, com obrigações ela não brincava, estávamos fazendo um trabalho em dupla em geografia, então, ficamos juntas. Era o professor que estava escolhendo e eu sentava ao lado dela no mapeamento da sala de aula. Vi era uma amiga e tanto, não te abandonava por nada, claro que nós não passamos por muitas coisas juntas em dois anos, mas foi essa a impressão que eu tive dela. 
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